Aproveitando o papo sobre comunidades, quero abordar uma questão interessante e de certa forma relacionada ao assunto: o consumo coletivo.Muito se fala que a sociedade contemporânea é inerte e neutra nas lutas sociais, incapaz de se organizar para reivindicar questões, causar transformações, etc.
Mas esse cenário pode mudar com o poder que a Internet nos proporciona para nos reunirmos em grupos e lutarmos por questões em comum.
Falando de consumo então, o interesse da sociedade em se unir em grupos e clamar por condições mais justas é maior ainda.
Foi essa a tendência que a Trendwatching mapeou ao redor do mundo, e chamou de CROWD CLOUT.
Whata hell is that?
Nada mais do que grupo de cidadãos ou consumidores com intenções em comum se unindo em prol de uma causa ou exigências de consumo como melhor preço, benefícios ou qualidade.
Ok, vamos aos casos:
1) MoveOn.org
O MoveOn é um site de cunho político no qual os usuários cadastrados (mais de 3 milhões de americanos) participam de ações que tentem interferir decisões políticas nos EUA.
Os usuários do site recebiam os telefones dos senadores e se manifestaram contra essa nomeação.
Diante dessa pressão o congresso resistiu a aprovar a nomeação Bolton não se tornou embaixador.
Pergunte-se: qual a diferença entre uma passeata ou panelaço na rua e uma manifestação coletiva virtual que obteve resultado?
2) LetsBuyIt
Já o LestBuyIt é um site de compra coletiva.
Ou seja, você entra, procura o produto (em geral eletrônicos) que está interessado e declara uma intenção de compra. Quando o produto atinge no mínimo 100 usuários interessados, o preço do produto cái consideravelmente, graças à uma parceria direta com o fabricante que vende em lotes de grande quantidade para esses consumidores.
Quanto mais consumidores juntos, menor o preço final do produto.
3) Igglo
Este site, fotografou e catalogou milhares de casas em Helsinki, capital da Finlândia.Essas casas são listadas para os consumidores, inclusive as que não estão à venda.
Uma família que não pretende se mudar por exemplo, coloca um preço alto para seu imóvel. Caso algum comprador declare uma intenção de compra, a família pode acabar mudando de idéia.
Os compradores em potencial declaram suas intenções de compra para um imóvel, enquanto os vendedores em potencial definem um preço para venda.
Os compradores, por outro lado, que são notificados quando algum imóvel da sua wish-list fica disponível para venda.
O benchmark logo veio e sites semelhantes surgiram na Inglaterra (Blockhunter) na Holanda (Elkhuistekoop.nl) e nos EUA (BuyerHunt).
4) SellaBand é um site voltado para novas bandas e fãs que acreditam e querem “investir” no sucesso dos músicos.
Os fãs, chamados de Belivers, encontram as bandas que gostam no site.
Por 10 doláres eles compram um ticket que representa uma “fração” da banda.
Uma vez que 5 mil Belivers comprarem tickes, o SellAband promove a banda com gravação de CD em estúdios profissionais, além de suporte de empresarios e produtores.
Aí então, os Belivers recebem uma edição especial do CD gravado.
Em seguida, as músicas ficam disponíveis para download, sendo sustentada por propaganda que é convertida em receita para o site e para as próprias bandas.
Os fãs promovem rapidamente suas bandas preferidas nas suas comunidades de relacionamento, blogs, instant messaging, paginas pessoais, fóruns, etc.
Até agora, bandas como Nemesea, Cubworld and Second Person alcançaram o target de USD 50,000 e gravaram CDs. Outros 20 artistas já passaram dos 5 mil dólares.
Totalmente Long Tail, não?
Esses são exemplos isolados de “consumo coletivo”, seja para comprar eletrônicos, imóveis, promover uma banda ou lutar por uma causa política.
Mas o fato é que esses casos isolados criam uma correlação: a demanda da exigência partindo do consumidor, usando o poder do agrupamento em comunidades para “negociar” suas necessidades de consumo ou ideais.
A questão que surge naturalmente é: será que isso tudo são movimentos imediatistas da febre da web 2.0 ou serão consolidados, mudando as relações de consumo e a forma de se fazer marketing e comunicação nesse novo cenário?
Não sei.
Mas só para refletirmos, algumas constatações mostram que esse cenário pode não ser apenas uma modinha, já que a Internet é a ferramenta que promove e nos dá esse poder coletivo:
- Hoje somos 1 bilhão de pessoas online em todo mundo. A maioria de nós estamos presente em comunidades virtuais, seja em sites de relacionamento, blogs, fóruns, etc.
- A Internet se consolida como mídia mais consumida entre os jovens.
- Cada vez mais passamos nosso tempo online. (O Brasil é o segundo do ranking de tempo de navegação)
- 4 milhões de brasileiros compram em média R$ 310,00 na web
De uma forma ou de outra, cada dia que passa o consumidor passa a ter mais poder nas mãos, o que obriga os fabricantes de produtos serem mais competivivos, os marketeiros serem mais inovadores e estratégicos e a comunicação mais sofisticada.
Onde vamos parar?
1 bilhão na web:http://www.internetworldstats.com/stats.htm
Matéria sobre o MoveOn:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u59185.shtml
Cases do MoveOn: http://www.moveon.org/success_stories.html
Report completo do Trendwatching:
http://www.trendwatching.com/briefing/



5 manifestações:
Fiz um post sobre o SellaBand faz um tempinho (tá aí nos relacionados)....
Gostei desse Letsbuyit! Isso vai mudar ainda mais a cara do PDV e a relação com o consumidor e com as revendas!
Bem-vindo ao Futuro!
Muito bom Freak.
Post bem Bradesco. Completo.
Muito bom!
Quanto mais usarmos essas ferramentas de comunicação, a política, o capitalismo selvagem, dentre outros segmentos vão, mais cedo ou mais tarde, se submeterem às opiniões, às objeções daqueles que se dispõem a não engolir tudo o que vem pela frente.
È dessa forma que iremos mudar o mundo, atraves da união de tds pra um bem comum.Interessante o assunto.Unidos venceremos!!! De verdade.
Achei ótimo! Me inspirei para fazer o post para o blog da Predicta ! E claro, coloque vocês lá =)
Beijos
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