
Fui com muita expectativa à exposição Gameplay, produzida pelo Itau Cultural. Mas como é bem sabido no mundo cinematográfico, "a expectativa é o pior inimigo de um filme" e a minha se quebrou em muitos bits de informação.
Sou um gamer declarado. Se não o declarei antes, faço agora. SOU GAMER, PORRA. Fui praticamente criado por eles, Mario foi meu pai e Zelda minha mãe. Yoshi era meu cachorro de estimação e Ryu foi um dos meus melhores amigos, mas é melhor que eu pare por aqui, já dei informação suficiente para ser zoado pelo resto da vida.
Muitos anos no submundo, os games vieram a tona e hoje tem cadeira cativa no universo pop. O resto do bla bla bla vocês já conhecem. Então, quando leio a notícia sobre uma exposição de games, me empolgo pois isso acaba legitimando esse universo como a arte que é.
Eu faço parte desse mundo, e a príncipio achei que o público primário dessa exposição seria eu, e consequentemente pessoas interessadas e curiosos. Para mim ou para os outros, a exposição deveria ser para todos.
Dessa forma, nada melhor do que integrar no contexto qualquer curioso ou interessado no tema. Como surgiram os video-games? Qual a sua história? Impactos na sociedade e na cultura? No indíviduo? Suas manifestações e reflexos no universo pop? Possibilidades? Estaria eu pedindo demais de uma exposição com o título de Gameplay (mecânica de jogo)?
Pedindo demais ou de menos, tudo o que encontrei foi uma grande Lan House. Uma Lan House de luxo, cheia de video-games e jogos conhecidos e não tão conhecidos. Divididos nos três andares estão muitos estandes com as principais plataformas da atualidade - o PS3, o Xbox 360, Wii, nintendo DS, PC e PSP. E jogos do mainstream como Mario Kart e Halo e outros mais alternativos como World of Goo e um e outro jogo experimental. Só.
Mas peraí, só? Sim, só. Você pega seu cartãozinho analógico, escolhe um stand com o jogo mais interessante para você e espera a fila (e de aguns títulos, a fila era enorme). Um parque de diversões gamístico. Mas, para quem é gamer, será que realmente vale aquele espaço? Afinal, acho melhor jogar em casa do que ter de me locomover até o Itau Cultural para experimentar os jogos. E mesmo considerando as barreiras sócio-economicas, afinal não são todos com condições para ter os 3 principais consoles da atualidade, e são poucos os que possuem um, acredito que a exposição teria muito mais a oferecer do que acesso a estas plataformas.
Porque? Fiquei com a sensação que a exposição é um espaço excludente. É necessário que o visitante possua ao menos alguma experiência e conhecimento prévio para testar os jogos, mesmo com os educadores e monitores presentes (que vale uma crítica a parte). Fiquei pensando nos pais que levaram seus filhos ter de se conformarem com a dolorosa espera da diversão alheia. Afinal, para quem não tem intimidade com este universo, ele intimida. Muitos botões, muitos comandos, muitos cascos de tartaruga e cogumelos.
Eu, como gamer, já conhecia tudo o que estava lá. Não, não joguei tudo previamente, mas sempre me mantive informado sobre o meio, e exatamente por isso estava esperando mais. Estava louco para ver se eles mostrariam uma linha do tempo com a evolução do gameplay, desde o primeiro pong (eu sonhava em ver um arcade dele lá e a sua história) até os atuais jogos de guerra. Um pouco de cultura ao redor deles não seria ruim, nem que fosse uma placa ao lado de cada stand explicando o jogo, quem o criou, etc, mas não havia. Não seria legal mostrar a um garoto de 12 anos como eram os games na época de seus pais?
Tudo o que vi, em sua maioria, eram adolescentes e crianças aproveitando os jogos gratuitamente. O mesmo público das Lan Houses. E com uma cultura tão rica e abrangente, com belas discussões intelectuais até (Homo Ludens por exemplo), fiquei triste pela exposição tratar os games como eles eram tratados uns anos atrás (e talvez ainda sejam por muitas pessoas): uma grande superficialidade. O texto empolado do banner da entrada com um efusivo discurso sobre interatividade se mostrou um belo engodo. Gameover?
Não, pois estamos no começo, e de qualquer forma apoio a iniciativa do Itau Cultural por serem tão raras as exposições sobre jogos.
Continue?
3 manifestações:
Pois é. Dei um pulo lá no Itaú para ver qualé da exposição. Saí de lá depois de 17 minutos - o tempo necessário para subir e descer dois lances de escada e pensar: "hummm, então era isso. pena".
essa exposição que vc gostaria de visitar já teve... no itáu mesmo... uns anos atrás... se não me engano, em 2005... procura no site!
Tomei um susto com sua crítica. Eu fui à exposição com meus filhos, postei sobre mas, como não sou gamer -e embora seja ligada em cybercultura - não consegui ver tudo isso. Parabéns!
Ano passado o blog de vcs esteve na blogagem coletiva do consumo consciente e passei para fazer um convite parecido. É um um "bate-papo" blogosférico sobre Educação para Sustentabilidade. Espero contar com vc e com sua visão sobre o tema.
P.S. O assunto está aqui http://www.samshiraishi.com/premiacao-real-sustentabilidade/
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